Mesmo
contemplando muitos pontos
culturais, a região do Largo da Ordem, centro histórico de Curitiba, deixa de atrair turistas e curitibanos
Reportagem Gabriele Maniezo
| O Museu Paranaense funciona apenas com segurança particular (Foto: Fernanda Iwaya) |
Os prédios
históricos do Largo da Ordem, tombados pelo Patrimônio Cultural da
cidade, dividem espaço com museus, restaurantes, teatros e
galerias de arte. Mas, o coração histórico de Curitiba, que
funciona como grande espaço cultural e turístico, apresenta hoje
um grande problema: a falta de segurança e de policiamento, o que
começa a ameaçar o fluxo de visitantes ao local .
José Carlos dos
Santos, funcionário do Museu Paranaense, um dos mais belos e bem
conservados da cidade, que possui um amplo acervo histórico,
artístico e cultural, confirmou o que muita gente já sabe: “Aqui
no museu, só com segurança particular para não ocorrer mais
degradação.”. Ele lembra ainda que embora a vida cultural do
Largo da Ordem continue ativa, a região está sendo afetada pela
falta de segurança,
Outro depoimento
neste sentido é dado pelo dono da galeria Antichità, Claudiney
Belgamo, de 53 anos, que também não está satisfeito com a
segurança no local. Há 15 anos no Largo, o galerista afirma que o
turismo cultural na região caiu muito. “O turista antes
representava 30% do meu faturamento. Agora, é menos de 2%. Ele não
se sente seguro ao caminhar por aqui”. O galerista critica o poder
público que, para ele, “abandonou a região”.
Arte acessível
Uma das galerias
mais tradicionais, o Solar do Rosário, inaugurou recentemente um
novo e aconchegante café, que funciona também como livraria e
butique de objetos diferenciados para presente. O vendedor da
galeria, Carlos Renato Kubiak, 35 anos, reforça que a localização
central contribui muito para tornar a arte cada vez mais acessível,
e não comentou nada sobre possíveis situações de insegurança
para a clientela que, além da galeria e do café, frequenta também
o restaurante instalado no mesmo casarão.
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| O Solar do Rosário, construído no fim do século XIX, é hoje um centro cultural (Foto: panoramio.com) |
A diversidade de
público que aflui ao local contribui para a venda e apreciação de
arte: “Acabou esse negócio de a arte ser elitizada, nosso público
é cada dia mais variado. A população está se interessando mais e
o Largo é o lugar perfeito para isso”, garante Kubiak. O técnico
em eletrônica, Dércio Delon, 59, é um exemplo disso — nunca se
interessou pessoalmente por arte, mas, depois de visitar, pela
primeira vez, as galerias da região, se encantou. “É tudo muito
bonito”, diz.
Feirinha do
Largo
Apesar da falta de
policiamento, o Largo da Ordem ainda tem seus dias de agito como
centro cultural, especialmente aos domingos, quando acontece a famosa
“Feirinha do Largo”, um imenso aglomerado de barracas de
artesanatos, comidas típicas e antiguidades, que atrai turistas de
todos os pontos do Brasil e a população de Curitiba, das 8 horas da
manhã às 14 horas.
A tradicional
feirinha
recebe em média 15 mil pessoas a cada semana, com suas oito quadras,
com mais de mil barracas, por onde circulam milhares de turistas e
curitibanos. Entretanto, para Raquel Turra de
25 anos, todo esse movimento não necessariamente significa
envolvimento com a arte. Ela considera que, mesmo sendo um centro
histórico frequentado por turistas, o largo não tem prestígio como
centro cultural por grande parte da população curitibana. O morador
da região Avelino Souza,
de 89 anos, concorda que a população não reconhece o espaço como
cultural. Frequentador das galerias, Souza conta que, embora aprecie
o lugar, a segurança é o principal entrave para que novas pessoas o
explorem culturalmente.
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| Feira do Largo (Foto: guiaturismocuritiba.com) |

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