sábado, 15 de março de 2014

Largo da Ordem é espaço cultural marcado pela falta de segurança


Mesmo contemplando muitos pontos culturais, a região do Largo da Ordem, centro histórico de Curitiba, deixa de atrair turistas e curitibanos



Reportagem Gabriele Maniezo
 
O Museu Paranaense funciona apenas com segurança particular (Foto: Fernanda Iwaya)


Os prédios históricos do Largo da Ordem, tombados pelo Patrimônio Cultural da cidade, dividem espaço com museus, restaurantes, teatros e galerias de arte. Mas, o coração histórico de Curitiba, que funciona como grande espaço cultural e turístico, apresenta hoje um grande problema: a falta de segurança e de policiamento, o que começa a ameaçar o fluxo de visitantes ao local .

José Carlos dos Santos, funcionário do Museu Paranaense, um dos mais belos e bem conservados da cidade, que possui um amplo acervo histórico, artístico e cultural, confirmou o que muita gente já sabe: “Aqui no museu, só com segurança particular para não ocorrer mais degradação.”. Ele lembra ainda que embora a vida cultural do Largo da Ordem continue ativa, a região está sendo afetada pela falta de segurança,

Outro depoimento neste sentido é dado pelo dono da galeria Antichità, Claudiney Belgamo, de 53 anos, que também não está satisfeito com a segurança no local. Há 15 anos no Largo, o galerista afirma que o turismo cultural na região caiu muito. “O turista antes representava 30% do meu faturamento. Agora, é menos de 2%. Ele não se sente seguro ao caminhar por aqui”. O galerista critica o poder público que, para ele, “abandonou a região”.


Arte acessível

Uma das galerias mais tradicionais, o Solar do Rosário, inaugurou recentemente um novo e aconchegante café, que funciona também como livraria e butique de objetos diferenciados para presente. O vendedor da galeria, Carlos Renato Kubiak, 35 anos, reforça que a localização central contribui muito para tornar a arte cada vez mais acessível, e não comentou nada sobre possíveis situações de insegurança para a clientela que, além da galeria e do café, frequenta também o restaurante instalado no mesmo casarão. 
 
O Solar do Rosário, construído no fim do século XIX, é hoje um centro cultural (Foto: panoramio.com)

A diversidade de público que aflui ao local contribui para a venda e apreciação de arte: “Acabou esse negócio de a arte ser elitizada, nosso público é cada dia mais variado. A população está se interessando mais e o Largo é o lugar perfeito para isso”, garante Kubiak. O técnico em eletrônica, Dércio Delon, 59, é um exemplo disso — nunca se interessou pessoalmente por arte, mas, depois de visitar, pela primeira vez, as galerias da região, se encantou. “É tudo muito bonito”, diz.


 Feirinha do Largo

Apesar da falta de policiamento, o Largo da Ordem ainda tem seus dias de agito como centro cultural, especialmente aos domingos, quando acontece a famosa “Feirinha do Largo”, um imenso aglomerado de barracas de artesanatos, comidas típicas e antiguidades, que atrai turistas de todos os pontos do Brasil e a população de Curitiba, das 8 horas da manhã às 14 horas. 

A tradicional feirinha recebe em média 15 mil pessoas a cada semana, com suas oito quadras, com mais de mil barracas, por onde circulam milhares de turistas e curitibanos. Entretanto, para Raquel Turra de 25 anos, todo esse movimento não necessariamente significa envolvimento com a arte. Ela considera que, mesmo sendo um centro histórico frequentado por turistas, o largo não tem prestígio como centro cultural por grande parte da população curitibana. O morador da região Avelino Souza, de 89 anos, concorda que a população não reconhece o espaço como cultural. Frequentador das galerias, Souza conta que, embora aprecie o lugar, a segurança é o principal entrave para que novas pessoas o explorem culturalmente. 
Feira do Largo (Foto: guiaturismocuritiba.com)
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário