Marcha do dia 8 de Março, em
Curitiba, foi espaço de reivindicação de direitos iguais e de repúdio ao
machismo
Reportagem Giulia Halabi
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| A marcha desse ano teve como tema “Não é por rosas, é pelos direitos das mulheres” (foto: Gabriel Justus) |
O último 8 de março, em todo o
mundo, foi um dia de receber rosas, presentes, homenagens, descontos em roupas
e salões de beleza para a maior parte das mulheres. No Dia Internacional da
Mulher, essas reverências já são tradição. Mas há mulheres que apenas aproveitam
a data para comemorar e há aquelas que lutam por seus direitos. Organizada pelo
movimento feminista, a Marcha do 8 de Março, neste ano, ganhou as ruas do
centro de Curitiba com 400 participantes, denunciando a violência diária contra
as mulheres. A ideia de contrapor a marcha à comemoração internacional acontece
porque, segundo representantes do movimento feminista, as homenagens
características, já assimiladas, inclusive, pelo mercado, são formas de
mascarar o machismo, ainda muito presente em todas as esferas sociais. Entre os
participantes da marcha, estavam pessoas que sofreram violência ginecológica,
estupro, assédio sexual, racismo e homofobia.
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| Cartazes, faixas, canções e gritos de ordem chamaram a atenção dos passantes (foto: Gabriel Justus) |
Maria de Lourdes, 56, tinha saído
de casa apenas para dar um passeio, mas acabou se interessando pela Marcha
quando passava pelo Paço da Liberdade. Ela atribui o significado da
manifestação aos recorrentes estupros e casos de violência contra a mulher
noticiados dia após dia. “Eu não me arrependi nem um pouco de ter deixado minha
casa para vir até o centro e encontrar um movimento assim. Eu estava indo
embora, mas sentei aqui pra assistir porque acho importante”, comentou.
O evento foi planejado
coletivamente, em reuniões que aconteceram no Sindicato dos Servidores Públicos
Municipais de Curitiba, o Sismuc. A liderança de coletivos feministas, como a
Marcha das Vadias, Marcha Mundial das Mulheres, União Brasileira de Mulheres
(UBM) e a Rede de Mulheres Negras ganhou corpo com o apoio de sindicatos,
partidos de esquerda, do movimento estudantil, entre outros grupos.
Durante a marcha deste 8 de
Março, ao total, aconteceram seis atos principais com os temas Violência contra
as mulheres, Mulheres negras e mercantilização, Mulheres e a participação na
política, Mulheres lésbicas e trans, Mulheres jovens, Dança circular. Cada ato
utilizou recursos de teatro, música, intervenções, depoimentos e
pronunciamentos para explicitar como o machismo pode afetar cada um desses
grupos em diferentes dimensões.
Marcha Mundial das Mulheres
Dentre os diversos coletivos que
ajudaram a organizar a Marcha do 8 de Março em Curitiba, um dos principais é a
Marcha Mundial das Mulheres (MMM), um movimento feminista internacional, que
surgiu em 2002, numa marcha em Quebec, no Canadá, com as mulheres exigindo
melhorias nas condições de trabalho e das políticas públicas. O movimento
ganhou corpo no mundo todo e hoje é organizado em diversos países. Em Curitiba,
a Marcha começou a atuar com outras denominações de coletivo no ano 2000, e só depois
virou a Marcha Mundial das Mulheres. O movimento se organiza não só em Curitiba,
mas também no interior do estado com a mesma agenda e o mesmo caráter, tratando
especialmente do tema da mercantilização do corpo.
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| “A estrutura da nossa sociedade é uma estrutura patriarcal, esse é o elemento que me move para lutar.” (foto: Gabriel Justus) |
Amanda Jaqueline dos Santos, 27,
é integrante da MMM e ajudou na organização da Marcha do último dia 8 de Março.
Segundo ela, a articulação entre os diferentes movimentos e coletivos presentes
na organização do evento não é fácil. “A gente constrói o 8 de março desde
janeiro com várias reuniões, com vários debates, sempre tentando alcançar um
consenso, até porque o feminismo, pra gente, precisa ser maior do que qualquer
outra pauta que nos diferencie”, destacou a organizadora.
Além de promover marchas, a MMM realiza debates permanentes de formação política para as mulheres participantes do movimento feminista. Também são realizados debates abertos sobre variados temas como a mercantilização do corpo, racismo e homofobia. Amanda Santos comenta que o machismo rege a vida de muitas mulheres na sociedade atual e se constrói desde o berço, no âmbito familiar. “O machismo se constrói em todas as relações sociais e opera na vida das mulheres numa dinâmica de opressão cotidiana. O grande elemento é que a estrutura da nossa sociedade é uma estrutura patriarcal. Esse é o elemento que me move para lutar”, finaliza.
Além de promover marchas, a MMM realiza debates permanentes de formação política para as mulheres participantes do movimento feminista. Também são realizados debates abertos sobre variados temas como a mercantilização do corpo, racismo e homofobia. Amanda Santos comenta que o machismo rege a vida de muitas mulheres na sociedade atual e se constrói desde o berço, no âmbito familiar. “O machismo se constrói em todas as relações sociais e opera na vida das mulheres numa dinâmica de opressão cotidiana. O grande elemento é que a estrutura da nossa sociedade é uma estrutura patriarcal. Esse é o elemento que me move para lutar”, finaliza.



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