sexta-feira, 14 de março de 2014

Um olhar sobre o Dia Internacional da Mulher em Curitiba

Marcha do dia 8 de Março, em Curitiba, foi espaço de reivindicação de direitos iguais e de repúdio ao machismo

Reportagem Giulia Halabi

A marcha desse ano teve como tema “Não é por
rosas, é pelos direitos das mulheres” (foto: Gabriel Justus)
O último 8 de março, em todo o mundo, foi um dia de receber rosas, presentes, homenagens, descontos em roupas e salões de beleza para a maior parte das mulheres. No Dia Internacional da Mulher, essas reverências já são tradição. Mas há mulheres que apenas aproveitam a data para comemorar e há aquelas que lutam por seus direitos. Organizada pelo movimento feminista, a Marcha do 8 de Março, neste ano, ganhou as ruas do centro de Curitiba com 400 participantes, denunciando a violência diária contra as mulheres. A ideia de contrapor a marcha à comemoração internacional acontece porque, segundo representantes do movimento feminista, as homenagens características, já assimiladas, inclusive, pelo mercado, são formas de mascarar o machismo, ainda muito presente em todas as esferas sociais. Entre os participantes da marcha, estavam pessoas que sofreram violência ginecológica, estupro, assédio sexual, racismo e homofobia.

Cartazes, faixas, canções e gritos 
de ordem chamaram a atenção 
dos passantes (foto: Gabriel Justus)
Maria de Lourdes, 56, tinha saído de casa apenas para dar um passeio, mas acabou se interessando pela Marcha quando passava pelo Paço da Liberdade. Ela atribui o significado da manifestação aos recorrentes estupros e casos de violência contra a mulher noticiados dia após dia. “Eu não me arrependi nem um pouco de ter deixado minha casa para vir até o centro e encontrar um movimento assim. Eu estava indo embora, mas sentei aqui pra assistir porque acho importante”, comentou.

O evento foi planejado coletivamente, em reuniões que aconteceram no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba, o Sismuc. A liderança de coletivos feministas, como a Marcha das Vadias, Marcha Mundial das Mulheres, União Brasileira de Mulheres (UBM) e a Rede de Mulheres Negras ganhou corpo com o apoio de sindicatos, partidos de esquerda, do movimento estudantil, entre outros grupos.

Durante a marcha deste 8 de Março, ao total, aconteceram seis atos principais com os temas Violência contra as mulheres, Mulheres negras e mercantilização, Mulheres e a participação na política, Mulheres lésbicas e trans, Mulheres jovens, Dança circular. Cada ato utilizou recursos de teatro, música, intervenções, depoimentos e pronunciamentos para explicitar como o machismo pode afetar cada um desses grupos em diferentes dimensões.

Marcha Mundial das Mulheres

Dentre os diversos coletivos que ajudaram a organizar a Marcha do 8 de Março em Curitiba, um dos principais é a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), um movimento feminista internacional, que surgiu em 2002, numa marcha em Quebec, no Canadá, com as mulheres exigindo melhorias nas condições de trabalho e das políticas públicas. O movimento ganhou corpo no mundo todo e hoje é organizado em diversos países. Em Curitiba, a Marcha começou a atuar com outras denominações de coletivo no ano 2000, e só depois virou a Marcha Mundial das Mulheres. O movimento se organiza não só em Curitiba, mas também no interior do estado com a mesma agenda e o mesmo caráter, tratando especialmente do tema da mercantilização do corpo.

 “A estrutura da nossa sociedade é uma estrutura patriarcal,
esse é o elemento que me move para lutar.” 
(foto: Gabriel Justus)
Amanda Jaqueline dos Santos, 27, é integrante da MMM e ajudou na organização da Marcha do último dia 8 de Março. Segundo ela, a articulação entre os diferentes movimentos e coletivos presentes na organização do evento não é fácil. “A gente constrói o 8 de março desde janeiro com várias reuniões, com vários debates, sempre tentando alcançar um consenso, até porque o feminismo, pra gente, precisa ser maior do que qualquer outra pauta que nos diferencie”, destacou a organizadora. 

Além de promover marchas, a MMM realiza debates permanentes de formação política para as mulheres participantes do movimento feminista. Também são realizados debates abertos sobre variados temas como a mercantilização do corpo, racismo e homofobia. Amanda Santos comenta que o machismo rege a vida de muitas mulheres na sociedade atual e se constrói desde o berço, no âmbito familiar. “O machismo se constrói em todas as relações sociais e opera na vida das mulheres numa dinâmica de opressão cotidiana. O grande elemento é que a estrutura da nossa sociedade é uma estrutura patriarcal. Esse é o elemento que me move para lutar”, finaliza.






Nenhum comentário:

Postar um comentário