A
falta de tempo e de rotina leva pessoas a praticarem exercícios à noite, turno
que traz riscos, desafios, mas - também- saúde.
Reportagem Dayane Farinacio
Em Curitiba, a prática de esportes noturnos tem se tornado mais comum por conta da vida agitada e da falta de tempo para praticar atividades físicas enquanto o sol brilha. Além disso, amigos com a mesma rotina frenética acabam se tornando amigos também de caminhada, corrida, influenciando uns aos outros a fazer e continuar a prática de exercícios depois de um dia de trabalho. Quem presta atenção, pode observar pelas ruas da cidade gente correndo, caminhando em ritmo esportivo ou pedalando energicamente, quando o agito do horário do rush já acabou faz tempo.
O jornalista Gabriel Bozza (29), por exemplo,
começou a fazer corridas noturnas por influência de amigos e vizinhos e se
apaixonou pelo exercício em horário diferenciado: “hoje corro de duas a três
vezes por semana e se eu não correr sinto muito falta”. Bozza corre na rua, no
trecho que vai da rua Marechal Floriano Peixoto até a vila Hauer, e desistiu da
academia por achá-la muito monótona. “Na rua você se estimula pela
possibilidade de caminhos alternativos. A academia acaba sendo complemento ao
exercício da rua”, diz.
Mesmo com a popularização e o aumento do número de
academias pelo país – eram 21,7 mil em 2012, número 113% maior que o registrado
cinco anos antes, de acordo com a Agência Sebrae de Notícias -, Vanessa Maria
Dabul(39), médica oftalmologista, também prefere praticar esportes ao ar livre
à noite, único horário que tem disponível. “Corro na rua e no Parque Barigui,
já que a prática pode ser mais diversificada e o rendimento melhora. Na
academia é muito tedioso, só vou quando está chovendo”, conta.
Segurança
Para aqueles que fazem exercícios à noite, a questão
da segurança é delicada e não serve de incentivo. O estudante Raul Alves Vieira
Rosa (18), que anda de longboard – um
tipo especial de skate de velocidade, com a prancha maior – diz que nunca foi abordado
ou assaltado durante suas práticas esportivas à noite, mas que conhece várias
pessoas que já passaram por isso, em especial por que usa um equipamento caro e
cobiçado por muitos. “Só não aconteceu nada comigo porque eu percebia a
movimentação e conseguia fugir. O esporte é caro, não é fácil comprar peça nova
quando alguém pega seu skate”, diz.
Com relação aos veículos, os esportistas também
enfrentam dificuldades. Raul Alves diz que mesmo existindo, na cidade, pistas
próprias para a prática de skate, livres de carros e ônibus, como as Parque São
Lourenço e as do bairro Guabirotuba, muitos skatistas vão para as ruas e
estradas para treinar, porque o esporte é de velocidade e essas pistas não proporcionam
um treinamento de nível profissional. “Acabamos indo pras ruas e estradas, lá onde mora o
perigo, já há vários casos de atropelamento. Quando desviam de nós, não é por
uma questão de respeito, mas para não arcar com os prejuízos”, revela.
Apesar de correr na rua, Vanessa Dabul procura
evitar as canaletas de ônibus, bastante utilizadas por outros corredores. A
pouca e fraca iluminação é o maior risco para ela, que não pode usar luzes de
sinalização, como fazem os ciclistas: “tenho medo de o motorista não me ver, já
que as luzes da rua são fracas”.
Saúde
Fazer exercícios à noite faz tão bem quanto treinar
de dia, segundo a personal trainer Francielle Foscher Paim. Ela diz que o corpo
se adapta às condições do treino noturno, mesmo que no início o esportista
enfrente algumas dificuldades: “a pessoa pode ter insônia nos primeiros dias de
treino, mas esse incômodo logo passa”.
A personal conta também que a maior transpiração que
algumas pessoas podem apresentar durante o dia não tem relação com o rendimento
do treino, que pode ser tão bom à noite quanto em qualquer outro período: “suar
não quer dizer nada, porque transpirar não é sinônimo de rendimento”.
Incentivo
A programação de corridas para Curitiba e Região
Metropolitana em 2014 inclui pelo menos 19 corridas noturnas, de acordo com
calendário divulgado pelo blog Julian
Runner, mas mesmo assim os corredores não se sentem muito motivados,
principalmente por causa das inscrições, que muitas vezes são caras. “Eu
participo de corridas de rua, mas pagar cem reais por inscrição é complicado”,
diz Vanessa.
A prefeitura de Curitiba programa, semanalmente, o
Pedala Curitiba, que ocorre à noite com concentração inicial na Praça Garibaldi
e com um percurso diferente a cada semana. Além disso, as Academias ao Ar Livre
– equipamentos de ginástica disponíveis gratuitamente para população, colocados
em vários bairros de Curitiba - também estão disponíveis para a população. Um
problema detectado por Gabriel Bozza é que falta aperfeiçoamento para os corredores
e ciclistas, que compartilham as ciclofaixas, instaladas nas várias ruas do
centro pela prefeitura. “Precisamos de rotas alternativas tanto para ciclistas
quanto para corredores de rua. Às vezes, um acaba atrapalhando o treino do
outro”, ressalta.
Para Bozza, o incentivo das empresas e universidades
à prática de exercícios também é muito importante. Ele lembra que a iniciativa
de uma das empresas onde trabalhou foi fundamental para que ele e outros
funcionários se interessassem pelo exercício físico: “trabalhei numa empresa
que disponibilizava um profissional para nos acompanhar no exercício depois do
trabalho e foi muito importante para gente se motivar”.

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