segunda-feira, 10 de março de 2014

Vida moderna estimula esportistas a se exercitarem à noite

A falta de tempo e de rotina leva pessoas a praticarem exercícios à noite, turno que traz riscos, desafios, mas - também- saúde.

Reportagem Dayane Farinacio

Skatista se arrisca na prática do esporte à noite. (Foto: fotolog.com)

Em Curitiba, a prática de esportes noturnos tem se tornado mais comum por conta da vida agitada e da falta de tempo para praticar atividades físicas enquanto o sol brilha. Além disso, amigos com a mesma rotina frenética acabam se tornando amigos também de caminhada, corrida, influenciando uns aos outros a fazer e continuar a prática de exercícios depois de um dia de trabalho. Quem presta atenção, pode observar pelas ruas da cidade gente correndo, caminhando em ritmo esportivo ou pedalando energicamente, quando o agito do horário do rush já acabou faz tempo.

O jornalista Gabriel Bozza (29), por exemplo, começou a fazer corridas noturnas por influência de amigos e vizinhos e se apaixonou pelo exercício em horário diferenciado: “hoje corro de duas a três vezes por semana e se eu não correr sinto muito falta”. Bozza corre na rua, no trecho que vai da rua Marechal Floriano Peixoto até a vila Hauer, e desistiu da academia por achá-la muito monótona. “Na rua você se estimula pela possibilidade de caminhos alternativos. A academia acaba sendo complemento ao exercício da rua”, diz.

Mesmo com a popularização e o aumento do número de academias pelo país – eram 21,7 mil em 2012, número 113% maior que o registrado cinco anos antes, de acordo com a Agência Sebrae de Notícias -, Vanessa Maria Dabul(39), médica oftalmologista, também prefere praticar esportes ao ar livre à noite, único horário que tem disponível. “Corro na rua e no Parque Barigui, já que a prática pode ser mais diversificada e o rendimento melhora. Na academia é muito tedioso, só vou quando está chovendo”, conta.

Segurança

Para aqueles que fazem exercícios à noite, a questão da segurança é delicada e não serve de incentivo. O estudante Raul Alves Vieira Rosa (18), que anda de longboard – um tipo especial de skate de velocidade, com a prancha maior – diz que nunca foi abordado ou assaltado durante suas práticas esportivas à noite, mas que conhece várias pessoas que já passaram por isso, em especial por que usa um equipamento caro e cobiçado por muitos. “Só não aconteceu nada comigo porque eu percebia a movimentação e conseguia fugir. O esporte é caro, não é fácil comprar peça nova quando alguém pega seu skate”, diz.

Com relação aos veículos, os esportistas também enfrentam dificuldades. Raul Alves diz que mesmo existindo, na cidade, pistas próprias para a prática de skate, livres de carros e ônibus, como as Parque São Lourenço e as do bairro Guabirotuba, muitos skatistas vão para as ruas e estradas para treinar, porque o esporte é de velocidade e essas pistas não proporcionam um treinamento de nível profissional. “Acabamos indo pras ruas e estradas, lá onde mora o perigo, já há vários casos de atropelamento. Quando desviam de nós, não é por uma questão de respeito, mas para não arcar com os prejuízos”, revela.

Apesar de correr na rua, Vanessa Dabul procura evitar as canaletas de ônibus, bastante utilizadas por outros corredores. A pouca e fraca iluminação é o maior risco para ela, que não pode usar luzes de sinalização, como fazem os ciclistas: “tenho medo de o motorista não me ver, já que as luzes da rua são fracas”.

Saúde

Fazer exercícios à noite faz tão bem quanto treinar de dia, segundo a personal trainer Francielle Foscher Paim. Ela diz que o corpo se adapta às condições do treino noturno, mesmo que no início o esportista enfrente algumas dificuldades: “a pessoa pode ter insônia nos primeiros dias de treino, mas esse incômodo logo passa”.

A personal conta também que a maior transpiração que algumas pessoas podem apresentar durante o dia não tem relação com o rendimento do treino, que pode ser tão bom à noite quanto em qualquer outro período: “suar não quer dizer nada, porque transpirar não é sinônimo de rendimento”.

Incentivo

A programação de corridas para Curitiba e Região Metropolitana em 2014 inclui pelo menos 19 corridas noturnas, de acordo com calendário divulgado pelo blog Julian Runner, mas mesmo assim os corredores não se sentem muito motivados, principalmente por causa das inscrições, que muitas vezes são caras. “Eu participo de corridas de rua, mas pagar cem reais por inscrição é complicado”, diz Vanessa.

A prefeitura de Curitiba programa, semanalmente, o Pedala Curitiba, que ocorre à noite com concentração inicial na Praça Garibaldi e com um percurso diferente a cada semana. Além disso, as Academias ao Ar Livre – equipamentos de ginástica disponíveis gratuitamente para população, colocados em vários bairros de Curitiba - também estão disponíveis para a população. Um problema detectado por Gabriel Bozza é que falta aperfeiçoamento para os corredores e ciclistas, que compartilham as ciclofaixas, instaladas nas várias ruas do centro pela prefeitura. “Precisamos de rotas alternativas tanto para ciclistas quanto para corredores de rua. Às vezes, um acaba atrapalhando o treino do outro”, ressalta.

Para Bozza, o incentivo das empresas e universidades à prática de exercícios também é muito importante. Ele lembra que a iniciativa de uma das empresas onde trabalhou foi fundamental para que ele e outros funcionários se interessassem pelo exercício físico: “trabalhei numa empresa que disponibilizava um profissional para nos acompanhar no exercício depois do trabalho e foi muito importante para gente se motivar”.

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