terça-feira, 11 de março de 2014

Blogs e sites dão dinheiro?

Proprietários de três sites em Curitiba afirmam: é possível viver apenas trabalhando online

Reportagem Luiza Guimarães


Se fosse um país, a internet representaria a quinta economia do mundo, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos, Japão e Índia, de acordo com um estudo realizado pelo Boston Consulting Group, divulgado no Brasil pela revista Exame. Com  25 anos de existência completados em 2014, a internet ainda não teve todo o seu potencial descoberto pelos usuários. Os blogs de entretenimento, por exemplo, foram por muito tempo vistos como hobbies, mas hoje existe muita gente  que ganha a vida com eles. O comércio online, opção que vem se mostrando mais confiável e segura, tem ganhado novos olhares. 


Sex shop virtual


Loja online traz mais privacidade aos clientes. (Foto: Luiza Guimarães)

Desde dezembro, Sabrina Vega, estudante de psicologia e sua mãe, Carmem Vega mantém o sex shop online 6 Sentidos. Elas nem chegaram a cogitar abrir uma loja física, pois a plataforma digital lhes oferecia muito mais vantagens. Além de conseguir maior alcance de público, a internet também reduz os gastos comuns para quem está começando um novo negócio, como funcionários, despesas com o aluguel ou a compra do espaço comercial.

Os investimentos existem, mas de forma bem reduzida. Para lojas como a delas, os primeiros gastos aparecem na formação de um sistema de estoque, em serviços de contador profissional e taxas de máquina de cartão de crédito. O que encarece a abertura de um site é o design. Assim como a decoração  é importante para uma loja física, são os fundos e as cores que irão dar o perfil da página eletrônica e atrair mais clientes. Um bom design custa em torno de 2 mil reais e não é necessário só para quem tem uma loja online —  ele é requisito obrigatório também nos blogs.


Posts de moda pagos

Parcerias com lojas fazem o blog de moda ir para frente. (Foto: Luiza Guimarães)

Para Gabriela Menta, estudante de jornalismo de dezesseis anos e dona do blog de moda gabrielamenta.com.br, o investimento no design e a festa de inauguração foram caros, mas representaram os investimentos que trouxeram mais retorno. “De um dia para o outro, só na primeira semana, meu blog dobrou de acessos diários!”, comenta ela.

Os blogs funcionam de forma diferente das lojas virtuais, já que seu lucro vem de publicidade e de parcerias. 

No caso de Gabriela Menta, além dos banners de anúncios na página do site, os anunciantes ainda podem optar por um publipost, ou seja, uma postagem mensal na qual a blogueira anunciando a marca. Este tipo de publicação é uma ideia comum em blogs de moda por ser fácil de realizar. As grifes de roupa e acessórios emprestam ou presenteiam seus produtos para a dona do site, que posta fotos vestindo os modelos, divulgando a marca.
Se o publipost dá certo, logo se formam parcerias mais duradouras, que se baseiam na divulgação recíproca entre lojas e blogs, ou entre dois sites distintos.

Busão Curitiba



Cássio Ferreira e Ricardo Ickert, do Busão Curitiba. Uma brincadeira que acabou dando dinheiro. (Foto: Júlio Boll)


Uma brincadeira sobre o cotidiano do transporte público em Curitiba pode render um bom dinheiro. A dupla de amigos  Cássio Ferreira, estudante de publicidade e Ricardo Ickert, estudante de engenharia elétrica, ambos com 23 anos, são fundadores e atuais administradores do Busão Curitiba.  A ideia do site nasceu, em 2010, a partir de microblogs no Twitter e hoje possui milhares de seguidores também no Facebook, além de  um  blog próprio — certos conteúdos  funcionam melhor em páginas fixas do que em redes sociais.

A conta no Twitter, que  já acumula mais de 20 mil seguidores, começou com simples relatos sobre as bizarrices observadas no transporte coletivo. Como tudo na internet, as parcerias foram a grande saída para amplificar o Busão.  Sites e vlogueiros como “Tesão Piá”, “Trollando” e “Não, Salvo” são algumas das parcerias realizadas.  “Estamos juntos em campanhas, apoiamos ideias e eles ganham bastante dinheiro. Dedicação é essencial. Tenho um amigo que só faz isso, tem três empregados e vem ganhado uma grana muito boa. Basta correr atrás, pesquisar e ter tempo livre pra fazer acontecer”, acredita Cássio Ferreira.

 Graças a diversas parcerias e ao olhar atento às piadas da internet – que alimentam a criatividade de Cássio e Ricardo para novas publicações – o dinheiro passou a ser consequência. Eles contam que agências de publicidade, muitas de São Paulo, passaram a procurar o blog para veicular campanhas em que o público-alvo era similar.. Os criadores do Busão explicam que utilizam  anúncios no Google, os chamados Adsenses, que  dão um dinheiro “para tomar cerveja no final de semana. É o que nos anima a postar”, detalha Ickert “E se fizermos só isso, abandonarmos nossas carreiras, dá pra viver de internet sim”.

Para quem quer começar, eles são bem diretos. “É preciso se dedicar e investir em anúncios”..  Um ponto essencial é saber qual é o público específico e o que publicar. “Pensar no público é 60% do segredo do sucesso. Se você souber como falar e fidelizar o público, é meio caminho andado. O retorno da internet vem com empenho”, finaliza Cássio Ferreira.

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