quinta-feira, 10 de abril de 2014

O país do samba agora é do hip hop

Festival Internacional de Hip Hop em Curitiba é um dos maiores eventos do gênero no país

Reportagem Bruna Junskowski

O Festival Internacional de Hip Hop abre as portas para os participantes que desejam fazer nome no cenário da dança. (Foto: FIH2)

Em 2002, Curitiba realizou um dos maiores eventos de hip hop do país: o Festival Internacional de Hip Hop (FIH2). Agora, em  2014, o Festival completa a sua 13ª edição, que para proporcionar a reciclagem profissional,  inclui em sua agenda oficinas, mostras de coreografias, competições, batalhas de B-Boys e palestras. Além disso, o evento promove encontros entre professores, dançarinos e coreógrafos de hip hop –  nacionais e internacionais.

O Hip Hop surgiu em 1970 nos Estados Unidos, nos subúrbios de Nova York e Chicago. Era a opção de donos de bailes e organizadores de festas que criaram disputas de dança – break - para evitar guerras entre gangues rivais. Os primeiros breakers dançavam para protestar contra a Guerra do Vietnã, criando coreografias que simulavam os movimentos dos feridos da guerra e os instrumentos utilizados nas batalhas.

No Brasil, o berço do hip hop é São Paulo, onde surgiu na década de 1980. Ao contrário dos precursores estadunidenses, os brasileiros usavam o break para a diversão.

Festival acelera evolução do Hip Hop

Octávio Nassur, 39, foi um dos criadores do Festival Internacional (FIH2) e hoje é Coordenador Geral do evento. Segundo ele, a ideia de criar um espaço para a convergência de um único gênero de dança veio do crescimento do estilo e das informações desencontradas que circulam sobre o gênero desta street art. “Com o Festival, conseguimos produzir informações mais claras sobre essa dança e acelerar a sua evolução e disseminação”, explica.

Ana Clara Barcellos dos Santos, 18, é bailarina e dança na companhia Luana Zeglin. Na primeira vez que participou do FIH2, dançou na mostra de coreografias e, segundo ela, a experiência foi emocionante. “A gente tem contato com grupos de outros lugares do Brasil e culturas diferentes. Além do público que é incrível”, relata.

Por ano, são inscritos no Festival Internacional de Hip Hop em torno de 400 grupos com uma média de 20 integrantes cada, que escolhem a modalidade que desejam participar: mostra ou competição.  Para as duas modalidades, existe uma seletiva presencial nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Nos estados em que não há seletiva presencial, é necessário enviar um vídeo de três a cinco minutos com a coreografia.

Para avaliar o material, três jurados são escolhidos com base em seu reconhecimento no mercado e conhecimento coreográfico. Os critérios utilizados por eles são pessoais, mas não há padrões escolhidos. O que se preza é a criatividade.

De acordo com o Coordenador Geral do FIH2, Octávio Nassur, as oficinas realizadas visam o aprendizado, possibilitando aulas aos alunos com os melhores nomes da dança no mundo, além de permitir que professores brasileiros dividam o mesmo palco com dançarinos de renome, obtendo o mesmo reconhecimento e importância.

O FIH2 acontece no Grande auditório do Teatro Positivo. Como o local é distante do centro da cidade, os organizadores do Festival oferecem um ônibus fretado que circula entre uma linha especial dos hotéis conveniados ao evento, para que os grupos possam se locomover até as oficinas realizadas. “Resgatamos a premissa do Hip Hop: a confraternização. Tiramos o peso da competição para um espaço democrático em que novas amizades são construídas”, comenta Nassur.

Mas para a bailarina Renata Della Ens, 18, há o clima de competição até mesmo na mostra. Segundo ela, em outros festivais alguns grupos desejam boa sorte uns para outros, mas no FIH2 isso não acontece. “No Internacional, os grupos têm muita raça. Acho que há equipes que se puderem passar por cima de você, passam”.

Segundo a coreógrafa Luana Zeglin, 29, o Festival proporciona a convivência e possibilidade de observar a técnica e estilo de outros grupos, como uma forma de intercâmbio cultural. Para ela, esse clima de competição no FIH2 faz parte do ofício. “Não é algo sadio pensar só em vencer a competição. Mas, infelizmente, todo bailarino tem que aprender a viver com isso”. 

O vencedor

As colocações no evento são dispostas de acordo com a média atingida pelos grupos. Os três primeiros lugares, nas três categorias competidoras, receberão troféus. O coreógrafo que receber a nota mais alta entre as três categorias ganha o título de “Coreógrafo Destaque”, uma quantia de R$2 mil e seu grupo está automaticamente classificado para o FIH2 do próximo ano, com inscrição gratuita.

O FIH2 busca o intercâmbio internacional dentre praticantes de Hip Hop da América Latina e percursores dos EUA e outros da Europa. (Créditos: FIH2) 

Octávio Nassur busca não dar enfoque no prêmio em dinheiro para estabelecer outros méritos a serem alcançados no evento, como a participação dos grupos. “Existem coisas que são imensuráveis quando relacionados à experiência proporcionada”, pontua.

Para o idealizador do evento, vencer o Festival depende de vontade e meta, pois ninguém chega a lugar nenhum se não souber o que quer. “Normalmente, quem ganha é quem tem os seus sonhos mais esclarecidos”, ressalta ele.

O bailarino e coreógrafo Cristofer Bernardo Fagundes de Souza, 22, chegou bem perto de vencer o Festival. Na primeira vez que participou ficou em segundo lugar. Segundo ele, é preciso ter controle para não se sentir intimidado com o clima competitivo e ter disciplina. “A experiência é incrível. Você sai da sua zona de conforto porque o único foco é o treino. Tem que ensaiar todos os dias, estudar muito para que dê tudo certo, e no fim acaba bem”.

Inscrições

O Festival Internacional de Hip Hop é realizado sempre em Curitiba. Esse ano, acontecerá nos dias 11, 12 e 13 de julho. O prazo final para o envio do vídeo da coreografia para os estados que não possuem seletiva é dia 24 de abril, em DVD via Correios ou publicação no YouTube. O resultado da seletiva sai no dia 6 de maio.

Para os curitibanos, as inscrições para a seletivas deverão ser realizadas diretamente no site do Festival Internacional, até o dia 9 de abril. As seletivas presenciais serão no dia 2 de maio no Teatro Fernanda Montenegro, com a saída do resultado no dia 26 de maio.

Confira o regulamento e mais informações no site: http://www.fih2.com.br/

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