Reportagem Aléxia Saraiva
| Seu Lino, 77 anos e uma história de rock n' roll (Foto: Aléxia Saraiva) |
De cabelos brancos e bigode ralo, usando uma camiseta do Johnnie Walker. Assim estava Seu Lino, 77, num sábado à tarde, ao abrir o bar, que ocupa sua antiga garagem. Aparência muito simples para o dono do primeiro bar punk de Curitiba, inspiração para tantos e berço de inúmeras bandas curitibanas de rock.
O Lino’s Bar já ocupou dois endereços: o primeiro, aberto em 1980, ficava na esquina das alamedas Cabral e Augusto Stellfeld, e, por ficar no Centro, logo se tornou muito frequentado. Em 2005, mudou para os fundos da casa do Seu Lino, no Barreirinha, e conta com o mesmo público que costumava visitar o antigo. “Quem tinha 20 anos naquela época já está com 54 e tem cabelo branco. O pessoal das antigas volta pra tocar aqui com os filhos, com os netos. É uma coisa bonita de ver”, conta Seu Lino.
O produtor Wallace Barreto é quem organiza a programação de bandas que tocam na casa desde 1993. Com 43 anos, começou a trabalhar com Seu Lino depois que sua banda, Ovos Presley, virou sucesso no bar. “Dou preferência para bandas independentes, que estão começando e precisam de projeção”, afirma. Seu Lino conta que, antes da parceria, ele mesmo ia atrás os músicos. “Eu chamava banda de fundo de quintal. Eu queria que a molecada se projetasse. Na época, eu tinha um Chevette e o pessoal não tinha transporte, eu buscava tudo. Meu trabalho nos domingos era correr atrás de banda.”
| (Foto: Aléxia Saraiva) |
Outro detalhe que chama atenção é que o bar não tem garçons ou funcionários, tudo funciona como uma parceria. Em dias de show, o Lino’s abre mais cedo para quem quer fazer churrasco: quem quer leva carne, carvão e sal, e Seu Lino só fornece a churrasqueira. “Eles que fazem tudo. Quando os shows começam, às 18h, às 14h o pessoal já tá aqui fazendo carne e tomando cerveja, pra na hora do show ficar bem ‘loucão’, como diz a gíria”. Além disso, o lugar também é espaço para muitas comemorações. O bar tem pelo menos três festas de aniversário no final do ano: o da abertura no Centro, o da abertura no Barreirinha e o aniversário do próprio dono.
O dono do bar
Seu Lino nasceu em Imuraí, em Santa Catarina. Em 1958, começou a servir o Exército e logo foi enviado para o Canal de Suez. “Na época, a família era muito pobre. O comandante chamou e quem quisesse ia. Fiquei um ano e dois meses”, explica. Na volta, mudou para Curitiba e com um amigo criou um grupo de música sertaneja. Pouco tempo depois, o colega faleceu em um acidente. Seu Lino, desde então, nunca mais pegou em um violão.
| (Foto: Aléxia Saraiva) |
Mesmo com a tragédia, a música nunca deixou a vida de Seu Lino. Os integrantes da primeira banda que tocou no bar recém-aberto moravam em um prédio vizinho e pediram para ensaiar no local, aos sábados. Desde então, os shows nunca mais pararam. “Sempre tocavam aos sábados e domingos. Hoje em dia, temos shows a cada quinze dias”. Além da Ovos Presley, outras bandas ganharam visibilidade por conta do bar, como Os Catalépticos e Cadela Maldita.
Seu Lino até hoje acompanha o cenário de rock curitibano, indo sempre a festivais como o Psycho Carnival.
Quanto a se aposentar, Seu Lino nega: “É o que eu gosto de fazer, e vou continuar. Até quando tiver a porta aberta, vou continuar no rock. O importante é ter boas amizades e olhar pela juventude e pela música”, declara.
Lino’s Bar Rua Paula Prevedelo
Gusso, n°8 - Barreirinha
Seu Lino, grande reserva moral do rock curitibano, já dizia o Sr. Dalborga.
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