domingo, 13 de abril de 2014

Colégio modelo enfrenta furtos e violência

Localizado na Vila Torres, o primeiro colégio público de educação integral do Paraná une esforços para suprimir falta de equipamentos

por Giulia Halabi

Professora lamenta o assalto
em redes sociais.
Na secretaria do Colégio Estadual Manoel Ribas encontram-se computadores pessoais, monitores antigos e uma boa dose de improvisação. A secretária Zenilde Aparecida dos Santos exibe a acrobacia que faz para contornar a falta de equipamentos, provocada por um furto na instituição no último mês de março. O assalto deixou de ser relatado para os órgãos de regulação do governo de Estado, que, segundo a diretora auxiliar Symoni Domingues de Souza, não foram de grande ajuda da última vez que aconteceu algo similar. “O Governo avisou a imprensa antes mesmo das investigações começarem, e alguns jornais transmitiram uma realidade de violência em nosso colégio que não acontece mais” protesta.

A direção do Colégio acompanha as investigações junto à 12ª Delegacia e optou por só fazer os informes ao governo estadual quando o assunto esfriar, evitando a presença da grande imprensa nas dependências do Ribas. Procurados pela redação, a Secretaria de Educação do Estado do Paraná (SEED/PR) e o Núcleo Regional Estadual de Curitiba (NRE/Ctba), responsáveis por dar apoio pedagógico ao Colégio, afirmam não saber do último assalto e só poder auxiliar na situação caso a direção os procure.


Buscar alternativas ao apoio governamental é uma característica marcante em todas as ações da direção do Ribas. A diretora auxiliar afirma que, muitas vezes, “o Estado não dá conta”. Para suprir as lacunas deixadas pelo Estado, o Colégio se apoia em parcerias com outras instituições, tanto privadas quanto públicas.

Entre as parcerias firmadas, figuram a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Instituto Escola Brasil, do banco Santander, a Pontifícia Universidade Católica (PUC), além de pequenos colaboradores, que não têm CNPJ famoso, mas são importantes para as atividades desenvolvidas. Essas instituições ajudam regularmente com as atividades de contra turno, e algumas delas estão envolvidas com a atual reforma do espaço físico que está acontecendo no Colégio.

Alunos do Ribas gravam a rádio-novela
“Entendendo as Diferenças”.
Amanda Pupo, estudante de Jornalismo na UFPR, colabora com um projeto de extensão que, ao longo de 2013, ajudou a produzir uma atividade de rádio com os alunos, a “Rádio Manecão Online”. No início do projeto, ela e a equipe passaram por dificuldades para motivar os alunos e envolvê-los no trabalho proposto, mas a situação mudou com o passar do tempo. “O que fez valer a pena foi quando dois dos alunos nos disseram, no final do ano, que estavam pensando em seguir carreira em jornalismo” relembra a estudante.






Manoel Ribas e o histórico de violência

O Colégio Estadual Manoel Ribas já foi conhecido por brigas constantes entre alunos, alta taxa de analfabetismo e baixíssima frequência. Em 2010, implantou um novo projeto pedagógico, pioneiro no Paraná, que instituiu educação em período integral e promoveu melhorias na vivência escolar. O resultado disso foi uma subida de três pontos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) - principal indicador de qualidade das escolas no Brasil. O lema atual da direção é “promover educação pública com qualidade particular”, o que só é possível realizar com a dedicação de professores e funcionários, além das parcerias firmadas com outros órgãos.

A Vila Torres, comunidade em que o Colégio está localizado, é um bairro favelizado, considerado um dos mais violentos de Curitiba. A realidade ao redor explica as antigas falhas no desempenho escolar, e a atual situação de assaltos. "A importância do Colégio para a comunidade está em manter as crianças estudando, e mantê-las com qualidade, numa perspectiva de trabalho social", coloca a diretora auxiliar.

Dessa forma, as atividades no contra turno voltam-se para a formação humana, com esportes, música, teatro e mídias. Os alunos também são acompanhados individualmente, em frequência, nota, alimentação e comportamento em sala. Enquanto a maior parte das escolas possui como norte apenas alfabetizar e preparar para o vestibular, no Ribas, os professores preocupam-se com outra formação e perspectiva.

Os furtos ao Colégio, porém, apontam que ainda há muito a ser trabalhado na comunidade. "A rua é a grande inimiga do nosso trabalho. É para lá que vão as crianças que não conseguimos manter estudando, e é de lá que vem os assaltantes” finaliza Symoni.

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