Localizado na Vila Torres, o primeiro colégio público de educação
integral do Paraná une esforços para suprimir falta de equipamentos
por Giulia Halabi
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| Professora lamenta o assalto em redes sociais. |
Na secretaria do Colégio Estadual
Manoel Ribas encontram-se computadores pessoais, monitores antigos e uma boa
dose de improvisação. A secretária Zenilde Aparecida dos Santos exibe a
acrobacia que faz para contornar a falta de equipamentos, provocada por um
furto na instituição no último mês de março. O assalto deixou de ser relatado
para os órgãos de regulação do governo de Estado, que, segundo a diretora
auxiliar Symoni Domingues de Souza, não foram de grande ajuda da última vez que
aconteceu algo similar. “O Governo avisou a imprensa antes mesmo das investigações
começarem, e alguns jornais transmitiram uma realidade de violência em nosso
colégio que não acontece mais” protesta.
A direção do Colégio acompanha as
investigações junto à 12ª Delegacia e optou por só fazer os informes ao governo
estadual quando o assunto esfriar, evitando a presença da grande imprensa nas
dependências do Ribas. Procurados pela redação, a Secretaria de Educação do
Estado do Paraná (SEED/PR) e o Núcleo Regional Estadual de Curitiba (NRE/Ctba),
responsáveis por dar apoio pedagógico ao Colégio, afirmam não saber do último
assalto e só poder auxiliar na situação caso a direção os procure.
Buscar alternativas ao apoio
governamental é uma característica marcante em todas as ações da direção do
Ribas. A diretora auxiliar afirma que, muitas vezes, “o Estado não dá conta”. Para
suprir as lacunas deixadas pelo Estado, o Colégio se apoia em parcerias com
outras instituições, tanto privadas quanto públicas.
Entre as parcerias firmadas,
figuram a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Instituto Escola Brasil, do
banco Santander, a Pontifícia Universidade Católica (PUC), além de pequenos
colaboradores, que não têm CNPJ famoso, mas são importantes para as atividades
desenvolvidas. Essas instituições ajudam regularmente com as atividades de
contra turno, e algumas delas estão envolvidas com a atual reforma do espaço
físico que está acontecendo no Colégio.
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| Alunos do Ribas gravam a rádio-novela “Entendendo as Diferenças”. |
Amanda Pupo, estudante de
Jornalismo na UFPR, colabora com um projeto de extensão que, ao longo de 2013,
ajudou a produzir uma atividade de rádio com os alunos, a “Rádio Manecão
Online”. No início do projeto, ela e a equipe passaram por dificuldades para
motivar os alunos e envolvê-los no trabalho proposto, mas a situação mudou com
o passar do tempo. “O que fez valer a pena foi quando dois dos alunos nos
disseram, no final do ano, que estavam pensando em seguir carreira em
jornalismo” relembra a estudante.
Manoel Ribas e o histórico de violência
O Colégio Estadual Manoel Ribas
já foi conhecido por brigas constantes entre alunos, alta taxa de analfabetismo
e baixíssima frequência. Em 2010, implantou um novo projeto pedagógico,
pioneiro no Paraná, que instituiu educação em período integral e promoveu
melhorias na vivência escolar. O resultado disso foi uma subida de três pontos
no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) - principal indicador de
qualidade das escolas no Brasil. O lema atual da direção é “promover educação
pública com qualidade particular”, o que só é possível realizar com a dedicação
de professores e funcionários, além das parcerias firmadas com outros órgãos.
A Vila Torres, comunidade em que
o Colégio está localizado, é um bairro favelizado, considerado um dos mais
violentos de Curitiba. A realidade ao redor explica as antigas falhas no
desempenho escolar, e a atual situação de assaltos. "A importância do
Colégio para a comunidade está em manter as crianças estudando, e mantê-las com
qualidade, numa perspectiva de trabalho social", coloca a diretora
auxiliar.
Dessa forma, as atividades no
contra turno voltam-se para a formação humana, com esportes, música, teatro e
mídias. Os alunos também são acompanhados individualmente, em frequência, nota,
alimentação e comportamento em sala. Enquanto a maior parte das escolas possui
como norte apenas alfabetizar e preparar para o vestibular, no Ribas, os
professores preocupam-se com outra formação e perspectiva.
Os furtos ao Colégio, porém,
apontam que ainda há muito a ser trabalhado na comunidade. "A rua é a grande inimiga do nosso trabalho. É para lá que
vão as crianças que não conseguimos manter estudando, e é de lá que vem os
assaltantes” finaliza Symoni.


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